Névoa intensa
Na venta tensa
Os vendados
Quem era escravo
Não vê seu senhor
Não demora nem tarda
Anda sem pressa a horda
Sem horas chegada
Quente entre as gentes
É o bom ar do entender
O calmo mar do viver
Sem ondas do engolir
Os desejos ensejos
Transmutados
Olhos enxergam alma
Cada parte de célula
Emite inteira
Nada escapa à derradeira
Claridade
Escapo um pouco
Nesse sonho romântico
Das nuances fétidas
Da humana realidade
Meu astronômico desejo
Ínfima antropo vontade
É sim um desvario
Uma ode à liberdade
domingo, 19 de agosto de 2007
Venerada
Já lhe disse em fluídos etéreos
Que lhe sou todo
E que minhas ânsias
É que me movem sobre geia
Cálice de toda embriaguez
Rio de todo narciso
Horizonte impreciso
De eras angelicais
Pena de todo poeta
Curva de toda reta
Alvo de toda seta
Luz de cada sol
Arco do meu triunfo
Proteção de meu zinco
Alvorada de todos os pássaros
Meu laço de arrebol
Profunda catraca paralisada
De meu anseio primeiro
Ao te ver fiquei cheio
E não quedo a esvaziar
Não te amo
Porque amar é humano
E ainda não criamos
Sentimento às deusas
Nomenclaturado
Sugas e me carregas
E saciado prossigo
No teu abrigo
Ó quem venero
Que lhe sou todo
E que minhas ânsias
É que me movem sobre geia
Cálice de toda embriaguez
Rio de todo narciso
Horizonte impreciso
De eras angelicais
Pena de todo poeta
Curva de toda reta
Alvo de toda seta
Luz de cada sol
Arco do meu triunfo
Proteção de meu zinco
Alvorada de todos os pássaros
Meu laço de arrebol
Profunda catraca paralisada
De meu anseio primeiro
Ao te ver fiquei cheio
E não quedo a esvaziar
Não te amo
Porque amar é humano
E ainda não criamos
Sentimento às deusas
Nomenclaturado
Sugas e me carregas
E saciado prossigo
No teu abrigo
Ó quem venero
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Objetos e Eu
Meu bolso furou
Tecido barato e fino
Usado muito no inverno
Agora já não uso
A mão gela a perna
No verão me aposso
Da bermuda vermelha
Sei que devia ser ela de outra cor
Quando ganhei há dois anos
A cor veio junto
Muito servira ao defunto
Tênis de marca boa
Dura vida inteira
Ainda legal que o dono
Não chutava lixeira
A camisa minha prima
Deu-me por raiva
Do ex-namorado
Eu minha mãe
Sabe não a procedência
Não tem paciência
Pra contar a seqüência
Tecido barato e fino
Usado muito no inverno
Agora já não uso
A mão gela a perna
No verão me aposso
Da bermuda vermelha
Sei que devia ser ela de outra cor
Quando ganhei há dois anos
A cor veio junto
Muito servira ao defunto
Tênis de marca boa
Dura vida inteira
Ainda legal que o dono
Não chutava lixeira
A camisa minha prima
Deu-me por raiva
Do ex-namorado
Eu minha mãe
Sabe não a procedência
Não tem paciência
Pra contar a seqüência
Minha Rua
Uma longa rua azulada
Ladeada de coqueiros
Onde meninos ligeiros
Arrancavam cocos com pedras
Caminhei nela por décadas
Entre poeira e buracos
Descalço n’alma
A entrecortá-la
Nos domingos a missa
Povo cavalos charretes
Balbúrdia imberbe
Severos senhores
De volta pra casa
Alegria de reencontros
Piscadelas guardadas
Coração tonto
Desatei alguns laços
Girei na roda dos caminhos
Abracei profissão
Consegui união e rebento
...revejo minha rua
Em visitas ligeiras
Espano a poeira
Das lembranças gostosas
Tem limo nas sarjetas
Asfalto no chão
Árvores podadas
Carros poluição
Ando de vagar
Rua afora indo embora
Levo cheiro aconchego
Um suspirar radiação
Ladeada de coqueiros
Onde meninos ligeiros
Arrancavam cocos com pedras
Caminhei nela por décadas
Entre poeira e buracos
Descalço n’alma
A entrecortá-la
Nos domingos a missa
Povo cavalos charretes
Balbúrdia imberbe
Severos senhores
De volta pra casa
Alegria de reencontros
Piscadelas guardadas
Coração tonto
Desatei alguns laços
Girei na roda dos caminhos
Abracei profissão
Consegui união e rebento
...revejo minha rua
Em visitas ligeiras
Espano a poeira
Das lembranças gostosas
Tem limo nas sarjetas
Asfalto no chão
Árvores podadas
Carros poluição
Ando de vagar
Rua afora indo embora
Levo cheiro aconchego
Um suspirar radiação
quinta-feira, 26 de julho de 2007
O mais que perfeito
(Homenagem à Liz)
É pretérito
Passado
Trás o verbo
Em rédeas curtas
Ada eda ida
A flexão permitida
Por ser regrado
É olhado meio de lado
Até mesmo descriminado
Não anda na boca de todos
É mais íntimo dos letrados
Que o usam à exaustão
Mas é puro despeito
De quem não é afeito
Á verbo lustrado
Pois por ser mais que perfeito
Dá brilho ao sujeito
Aos pronomes e adjetivos
Encurta frases
Dispensa artigos
É um belo amigo
Quisera
Queira.
É pretérito
Passado
Trás o verbo
Em rédeas curtas
Ada eda ida
A flexão permitida
Por ser regrado
É olhado meio de lado
Até mesmo descriminado
Não anda na boca de todos
É mais íntimo dos letrados
Que o usam à exaustão
Mas é puro despeito
De quem não é afeito
Á verbo lustrado
Pois por ser mais que perfeito
Dá brilho ao sujeito
Aos pronomes e adjetivos
Encurta frases
Dispensa artigos
É um belo amigo
Quisera
Queira.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Augusto e Anjos
Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!
(Augusto dos Anjos)
Lembro-me de Augusto
Nos devaneios
Nos dias novelos
Em que não os teço
Nem os desenrolo
De anjos no entanto
Nos percalços
Em que descalço
Tenho medo
No pútrido da vida
Anjos e Augusto
Na dor sentida
Encaixe justo
Na alegria os esqueço
A alegria é carro sem freio
Copo cheio
Desmedida
Ambos me consolam
Nos dias de solo
No grito de ajuda
Na paz da coxia
De mamãe o gosto por anjos
Dos dissabores por Augusto
São dois amores
Um Herdado outro adquirido
Torcem o nariz
Para os dois
Recebo-os
Ora pois.
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!
(Augusto dos Anjos)
Lembro-me de Augusto
Nos devaneios
Nos dias novelos
Em que não os teço
Nem os desenrolo
De anjos no entanto
Nos percalços
Em que descalço
Tenho medo
No pútrido da vida
Anjos e Augusto
Na dor sentida
Encaixe justo
Na alegria os esqueço
A alegria é carro sem freio
Copo cheio
Desmedida
Ambos me consolam
Nos dias de solo
No grito de ajuda
Na paz da coxia
De mamãe o gosto por anjos
Dos dissabores por Augusto
São dois amores
Um Herdado outro adquirido
Torcem o nariz
Para os dois
Recebo-os
Ora pois.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Cumprindo
Jaleco surrado
Apertado no lotação
Mão direita no ferro
Olhos cravados no chão
A chuva batendo no vidro
Escorre em ziguezague
Pelas ladeiras do subúrbio
Sacode feito enxágüe
Suporta artrite gota catarro
Verão inverno gracinha assalto
É árvore de ribanceira
Arcado pro abismo copa para o alto
Não se rendera aos percalços
Nem teve tempo para vício
Ganhar o pão os panos o aluguel
Ver na gurizada a alegria de seu sacrifício
Até seu semblante é honesto
Sua conduta irrepreensível
Fizera da vida o que sonhara
Sonhara um sonho plausível.
Apertado no lotação
Mão direita no ferro
Olhos cravados no chão
A chuva batendo no vidro
Escorre em ziguezague
Pelas ladeiras do subúrbio
Sacode feito enxágüe
Suporta artrite gota catarro
Verão inverno gracinha assalto
É árvore de ribanceira
Arcado pro abismo copa para o alto
Não se rendera aos percalços
Nem teve tempo para vício
Ganhar o pão os panos o aluguel
Ver na gurizada a alegria de seu sacrifício
Até seu semblante é honesto
Sua conduta irrepreensível
Fizera da vida o que sonhara
Sonhara um sonho plausível.
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