sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Esses Estranhos

Juro que não me encontrei
não me encontro
só escombros

cada pedra que coloco
erra o endereço
e quando tenho certeza do lugar
é o avesso

nunca sei
meu rosto
só na foto
o desgosto

eu sou só teimosia
o que esperam de mim
em mim não é primazia

tenho cada vez menos
telefones pra memorizar

os populares riem-me
e me acham divertido
os acho massantes
com seus problemas a resolver

ando preferindo me desativar
andar pé-ante-pé
pra não acordar-me

Pssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

Uma luz na madrugada
Um lampejo na má drogada
Mau lampejo
Bem drogada
Sem luz
Drogada
No fim da noite
Fim da droga
Muita droga pouco efeito
Caminhando sem tino
Acabar: qual droga?

domingo, 2 de setembro de 2007

Teias

Sempre quis dar-me bem com muitas pessoas, poder dizer minhas sentimentalidades e ouvir mágoas e fanfarrices. Achei na breve meninice, que a rua tinha aconchego e carinho. Mas que merda, logo me xingaram com meus defeitos e eu no espelho, encolhendo o cenho pra buscar explicação; tinha não!

Fui ficando desconfiado, rebatendo, olhando de lado.Cheguei a resolver pendengas de moleque na pancada (na verdade, tapas com a mão quase fechada).
Quando adolescente, com algumas palavras rebuscadas, abandonei a pancada e fui pro debate – conversas de meio quilate!
Descobri que por mais que se queira o do contra ta na beira, louco pra entrar. Em se tratando de paixão então, oh vida desgramada.! As mais afortunadas de dinheiro e silhueta, parecem ter várias bucetas. Os ditos riquinhos bonitinhos devem ter mais que um pau, porque tem sempre um monte querendo. Enfim, com conhecimento, duro e no térreo da beleza, destilei meu lado ácido e caí pra destratar. Andei pelas bandas esquerdas, envermelhado e querendo igualdade social.
Percebi uns dias atrás que o caminho político-social que enveredei nada mais era que querer dar-me bem com todos e poder dizer minhas sentimentalidades...

Acabando essa prosa, vejo que a pena é que me da escora no desejo menino que em mim ainda mora de encontrar pessoas pra quem eu possa...

Sempre quis dar-me bem com muitas pessoas!

Pequenas peças

Atos cometidos
Pecados redimidos
Promessa paga
A dor com o tempo
Passa

Eu já fiz muito mal
Recebi sacanagens
Tentei ser honesto
Consegui

Detesto-me cínico
Adoro meu sarcasmo
Herança Teuto
Eslava

Estou preso às tradições
Não consigo determiná-las
Cumpro a contragosto

Variado pelas ruas
Ensandecido e louco
Embriagado algumas vezes
Apaixonado por certas coisas
Tento saber-me

Como em um coquetel
De todos os sabores
Amores pecados
Tradições
Credos cruz-credo
Quebracabeço-me
Macunaímo-me

Encontro acredito
Um cordão como teseu
Nesse labirinto

Sei lá se falo sério
Se minto

Creio já ter idade
Pra viver com essas
Inexplicabilidades

Bela idade essa
Do deixa isso aí

Um Show

A turba adentra
Ânimos
Guiados pelas notas
Que os guiam
Num consolo em rebeldia

Tantas intenções
Num mesmo espaço
Vícios que interagem

Frente ao palco
E aos ídolos
Concordam inebriados
Que sabem o que querem

Catarses múltiplas
De um mesmo ponto
Sóbrios chapados tontos
Personagens que não contracenam
De um mesmo conto

Sufocam enfeitiçados
(com alguns levantes)
Infinitos preconceitos

Retornam quase todos
Pras lidas do antes
Com histórias gloriosas
Estórias

Que belo feitiço coletivo
Essas orgias sonoras
Que alienam e revigoram
Ontem amanhã
Agora