sábado, 7 de julho de 2007

Meu jeito

Hoje corri pelado e contente,
Índio jovem no kuarup, virando gente.
Apanhei inocente, como os negros no pelourinho.
Debutei inocente como as donzelas
Do início do século passado.

Plantei açúcar e café. Achei ouro e fui roubado.
Construí igrejas, estradas, ferrovias, rodovias e,
Tudo mais que mandaram.

Tornei-me independente, inseguro, imaturo,
Enchi-me de gente: atraente, incompetente,
Indigente, decente, inteligente, arrogante,
Corrupta, crente, amável, carente, impotente,
(in) conseqüente, diferente, honesta, confiável,
Intragável, ingênua, bola-pra-frente.

Batizei-me em todas as crenças,
Abri-me para todos os povos.
Taxaram-me de pobre, subdesenvolvido,
Em desenvolvimento, tecnodependente.
Chamaram-me de futuro, de pulmão do mundo,
De terra de Deus.

Muitos acreditam que tenho jeito.
Outros, que não passo de um pesadelo.
Meu nome vem da brasa, deve ser por isso então,
Que tanto me incendeiam.

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